4

Tudo começou muito antes da Prazerela ser criada.

Mariana Stock, fundadora da iniciativa, é curitibana, nascida de uma família branca conservadora e cuja pressão pelos estudos e a disciplina sempre foram marcadores característicos. 

Sua trajetória a fez desenvolver o ideal de trabalhar em uma grande empresa e almejar os status socialmente construídos para as pessoas brancas de sucesso. E conseguiu. Mariana se tornou gerente de marketing de uma multinacional de cosméticos brasileira e construiu uma vida de ótimas condições materiais.

Percorrida essa jornada, percebeu-se enredada em uma fórmula de sucesso e autorealização que muito pouco tinha a ver com prazer genuíno. Nesse processo começou a se perguntar o que me dá prazer na vida? De verdade?

Jantar em um bom restaurante, viajar, fazer programas culturais… todas as respostas envolviam consumo e a necessidade de ter dinheiro, muito dinheiro, para realizá-las. Só uma escapava desse padrão: sexo, sexo me dá prazer na vida!

Considerando-se uma mulher muito bem resolvida com a própria sexualidade e autodeclarando-se a conselheira sexual das amigas, passou a confrontar sua autoimagem quando uma amiga próxima com vários problemas sexuais, entre eles a dificuldade de sentir prazer na penetração, lhe fala que está fazendo um processo incrível de massagem tântrica com alinhamento de chakras, ascensão de kundalini e toques genitais. Mariana não fazia a menor ideia do que ela estava falando.

Quando seu coach de carreira da tal multinacional de cosméticos também a pergunta se ela já ouviu falar em massagem tântrica, sua “mulher muito bem resolvida com a própria sexualidade” começa a cair por terra e ela passa a se dar conta do quanto de moralidade estava instaurada em si afirmando que seu corpo não era digno de sentir prazer genuíno.

Determinada a resolver pra ontem essa relação mal resolvida com a sexualidade passou a se dedicar ao autoconhecimento do seu corpo e ao estudo dos aspectos repressores e culpabilizantes da sexualidade para mulheres. Se entregou a experiência tântrica, começou o estudo da psicanálise, realizou retiros e um curso de parteria natural com a Naoli Vinaver que explodiu sua cabeça em relação a sexualidade feminina. Decidiu que faria da sua missão de vida ajudar mulheres a terem uma relação mais positiva com a sexualidade.  

No seu processo de aprendizado, percebeu o quanto as narrativas trazidas pelo Tantra eram novas formas de institucionalização do abuso. Para que mulheres pudessem viver as experiências no corpo, precisavam se submeter a doutrinas religiosas baseadas em dogmas e crenças espirituais, passando por processos invasivos e traumáticos como caminho para alcançar “a cura”. Não havia respeito a biografia de cada uma, não havia consideração às tantas interseccionalidades que atuam na relação da mulher com a sua sexualidade como racismo, cisexismo, gordofobia, heterosexismo, capacitismo, etc. Tantas esferas importantes e que eram totalmente ignoradas nesse processo que propunha uma solução externa para os seus problemas internos e esvaziava de sentido toda uma filosofia milenar de espiritualidade ao reduzir o escopo para a sexualidade.

Foi assim que a Prazerela nasceu, da urgência de um espaço simbólico para falar de prazer e sexualidade feminina sem tabus, sem repressões e orientado à biografia pessoal de cada mulher. Inicialmente oferecia apenas um curso de sexualidade focado na desconstrução de tudo aquilo que aprendemos sobre sexo e sexualidade, e só por essa temática já encontrava grande resistência dos espaços de coworking onde eram realizados. Rapidamente percebeu-se a necessidade de um espaço mais seguro e acolhedor, e o projeto ganhou raízes físicas na Casa Prazerela, onde foi criada também a Terapia Orgástica, um processo de desenvolvimento terapêutico feito por e para mulheres com o objetivo de despertar o potencial orgástico do corpo.

Atualmente a Prazerela realiza diversas atividades voltadas ao universo da sexualidade positiva e bem viver da mulher. Por acreditarmos que toda mulher precisa de um cuidado e uma educação sexual que permita e incentive a descoberta pessoal do prazer, também realizamos cursos para que médicas, enfermeiras, obstetrizes e outras profissionais de saúde ampliem a abordagem positiva da sexualidade em seus consultórios. Além disso, toda a equipe de terapeutas e gestoras da Prazerela são acompanhadas por um processo contínuo de supervisão terapêutica com Regina Favre, referência no processo formativo dos corpos. 

4

Que tal continuar a leitura?

Orgasmos

O que me impede de ter orgasmos nas relações sexuais?

O processo de atingir estágios mais elevados de prazer durante as relações sexuais tem tudo a ver com a nossa capacidade de encontrar um estado de relaxamento profundo para mente e corpo, dando espaço para uma descarga mais intensa em prazer.

comentários

Seja a primeira a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *