Você já parou pra pensar porque é tão difícil inserir a masturbação na sua rotina de autoamor e autocuidado? 

E por que a maioria das mulheres não têm esse hábito enquanto ele parece ser algo tão trivial e aceitável na vida dos homens?

Primeiramente precisamos notar o contexto social onde estamos inseridas: não há para as mulheres uma cultura de incentivo à esse tipo de autocuidado… pelo contrário! 

Em nossa sociedade ainda vivemos um consenso coletivo de que o lugar instituído para as mulheres, especificamente mulheres cisgênero, é o lugar da servidão, da reprodução humana e da submissão, como se essas fossem as razões da nossa existência. 

Me refiro especificamente às mulheres cisgêneros porque este artigo contemplará a muitas mulheres, mas não a todas elas. 

Se fosse contemplar as mulheres trans, não poderia deixar de considerar que o cissexismo e a heteronormatividade da sociedade sequer lhes concede a possibilidade de ocupar o lugar da “mulher submissa”. Pois, para essas mulheres, a própria mulheridade é negada. Sendo assim, é necessário reconhecer as limitações deste artigo.

Me refiro portanto a este contexto de sociedade que tem uma visão muito limitada do que significa ser mulher. E que acredita que existimos para sermos boa mãe, boa esposa, boa dona de casa, boa filha, boa funcionária… boa para o outro! Mas nunca boa para si.

Esse papel pré-estabelecido para as mulheres cisgênero foi o ponto de partida para que se negasse a nós uma educação sexual que promovesse a descoberta pessoal do prazer. Nos acostumamos a pensar que educação sexual se resume a aprender a colocar uma camisinha em uma banana, a evitar possíveis gestações indesejadas e a se proteger das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Uma abordagem muito associada aos perigos do sexo, mas pouco associada aos aspectos positivos da sexualidade.

Quando digo que a educação sexual precisa promover a descoberta pessoal do prazer, me refiro ao prazer que acontece na sua individualidade, através do seu processo pessoal de exploratória e descoberta das sensações do seu corpo. Um prazer sensorial particular que deveria ser explorado em um capítulo anterior ao capítulo do sexo nas nossas vidas.

Não se culpe, então, se você ainda se percebe com muitos tabus em relação a sua sexualidade e encara dificuldades para se masturbar. Afinal, existe todo um contexto de sociedade que ainda hoje acredita que mulheres devem fornecer e não vivenciar o prazer, e todas nós em certa medida somos atravessadas por esses conceitos repletos de moralidade.

Não é de se espantar que essa mesma sociedade não tenha qualquer interesse em que você descubra a sua potência orgástica. Afinal, as mulheres que descobrem a potência do seus orgasmos e dos seus prazeres, acabam por não se submeterem mais a essa lógica perversa que deseja nos manter nesse lugar de coadjuvantes da própria vida, de vulneráveis, delicadas, submissas, dependentes e servis. O tabu a respeito da masturbação feminina tem a ver, portanto, com todo esse desinteresse em que as mulheres se apropriem dos seus próprios corpos. 

No entanto, não poderia deixar de trazer aqui uma problematização a mais dentro da temática da masturbação feminina, que é o próprio imaginário associado a palavra “masturbação”. 

Em geral mulheres encaram uma resistência particular com a palavra masturbação porque ela nos remete à um referencial masculino, muito relacionado ao consumo de pornografia e à promiscuidade. Além disso, para a maior parte dos homens cisgênero a masturbação é uma atividade que envolve muito estímulo da fantasia e da região genital, mas muito pouca exploratória sensorial de todo o corpo, o que leva a descargas rápidas e pouco satisfatória em prazer.

Certamente não é desse tipo de masturbação que estou falando. O que proponho a nós mulheres é uma experiência de prazer e deleite com a sensorialidade do corpo. Um verdadeiro processo de auto amor, que envolve a superação de muitas crenças limitantes e tabus pra que possamos vivenciar plenamente a potência dos nossos orgasmos.

Por todos esses fatores, podemos fazer uma analogia da masturbação feminina com um complexo labirinto enquanto a masturbação masculina é uma estrada com uma via de acesso curto e rápido ao prazer.

É por todo esse imaginário associado à palavras masturbação que prefiro usar termos mais adequados para me referir a esses processo de autocuidado que nós mulheres precisamos ter com o nosso próprio prazer: como autoestimulação. Assim, o processo de exploratória do corpo e do prazer na individualidade se torna muito mais convidativo, com um tabu a menos.

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