Início » Amor Próprio » Autocuidado feminino: importância, benefícios e dicas para se cuidar
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Autocuidado é uma palavra que talvez, de tanto uso, tenha caído em um certo modismo e tenha perdido um pouco do seu real significado.

Mas se existe um assunto urgente na vida das mulheres é justamente esse: a necessidade de se falar em ferramentas que nos ajudem a compreender nossos desejos e necessidades e a criar os meios para cuidarmos de nós mesmas.

É certo que o capitalismo tenta dar uma roupagem supérflua ao autocuidado feminino, se apropriando e empacotando os seus discursos com finalidades comerciais.

Mas em anos recentes tão difíceis, onde estamos testemunhando tanto retrocesso político nas pautas que competem às mulheres, é preciso retomar o significado dessa palavra. Pois o autocuidado feminino é de fato a nossa estratégia mais potente de sobrevivência para os tempos que estamos vivendo.

O que é autocuidado?

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Mulheres estão por sua própria conta desde… sempre.

Poucas são as mulheres que contam com algum apoio e suporte genuíno para passar pelos momentos difíceis de suas vidas. Em geral, somos nós o apoio de um outro alguém.

Com isso, recai sobre nós a desafiadora tarefa do autocuidado e da autopreservação. Para que com isso, mais do que cultivarmos o bem estar e uma boa qualidade de vida, sejamos capazes de resistir e sobreviver a ela.

Autocuidado feminino, neste sentido, tem relação com os hábitos, atitudes e comportamentos que cultivamos para preservar a nossa inteireza e a nossa saúde física, mental e emocional. Um processo que por sua vez está intimamente relacionado à construção e ao fortalecimento da nossa autoestima.

Leia também: Baixa Autoestima: como melhorar a nossa autopercepção?

Qual a relação entre o autocuidado feminino e a autoestima?

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A autoestima, como já refletimos em um outro artigo, tem a ver com a nossa capacidade em valorizar quem somos. A nossa capacidade de valorizar a nossa própria identidade e existência, com todas as suas singularidades e a despeito de tudo de negativo que já nos disseram ou insinuaram a nosso respeito.

Mas para que sejamos capazes de valorizar quem somos é preciso, primeiramente, tornar-se capaz de olhar para si mesma. E aqui quero dizer olhar de verdade… notar nossas qualidades, mas também nossos defeitos, admirar nossas constâncias mas também as nossas contrariedades.

A importância da autopercepção

Conhecer os seus gostos, seus desgostos, suas vontades e os seus limites. E acompanhar com carinho e acolhimento a constante transformação e mudança dos seus gostos, desgostos, vontades e limites.

Atuar na construção e no fortalecimento dessa autoestima é um trabalho constante e interminável, e não envolve nada de passividade… mas sim muita atividade.

Quando falamos em autocuidado, portanto, estamos falando justamente das ferramentas e recursos práticos que utilizaremos para colocar em exercício esse processo de autodescoberta, autoaceitação e celebração de si mesma.

Não existe fórmula mágica

É por essa razão que nem mesmo o autocuidado possui uma fórmula única e mágica que se aplica a todas as mulheres.

De certo que temos muitas necessidades e desejos parecidos do ponto de vista coletivo, mas também somos diversas e singulares em muitos aspectos, e desejamos coisas particulares. Por isso uma prática de autocuidado que pode funcionar para mim talvez não funcione para você, e vice e versa.

Leia também: O que é empoderamento feminino? Importância e 7 princípios

Dicas para começar uma rotina de autocuidado feminino

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Praticar o autocuidado não deveria ser tornar mais uma grande demanda de tempo e investimento financeiro na sua vida, competindo com tantas outras atividades que você precisa dar conta no dia a dia e te gerando mais ansiedade e angústia.

Essa prática precisa ser justamente aquilo que te trará mais leveza, tranquilidade e confiança para lidar com todas essas demandas e desafios cotidianos.

Fazer o melhor com o que há disponível hoje

Portanto, o primeiro passo para começar a praticar o autocuidado é permitir-se fazer o melhor por você mesma com aquilo que você tem disponível hoje. Sem determinar para si mesma metas e objetivos que são inalcançáveis ou pouco práticos.

Comece perguntando para si mesma: o que posso fazer hoje, com aquilo que tenho disponível neste momento, pela minha integridade física, mental e/ou emocional?

Às vezes você vai perceber que o melhor que dá para fazer hoje é aumentar a sua ingestão de água. Tudo bem, já é alguma coisa! Nada que você possa fazer por você mesma é pequeno ou insignificante demais.

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Investigar as suas necessidades

Quando paramos de buscar fora a solução para as nossas questões, e começamos a olhar para dentro de nós, nos tornamos sujeitas mais ativas em nossas próprias vidas.

A partir disso, vez ou outra (convenhamos, nem sempre) conseguiremos empenhar o nosso pensamento para materializar estratégias e ações direcionadas para atender às nossas próprias necessidades.

Necessidades de terceiros

Fazemos isso com muita facilidade pelo outro. O colocamos em primeiro lugar e com nosso cuidado e proteção somos capazes de enxergar suas necessidades e as formas que temos de ajudá-los. O convite aqui é para que você faça o mesmo processo para si mesma.

Frente aos desafios que a vida apresenta, olhe para si constantemente e investigue as suas próprias necessidades. Que ora serão coletivas, ora serão particulares.

Privação de necessidades básicas ou intangíveis

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Muitas vezes, no entanto, nos encontraremos em situação de privação, impossibilitadas de suprir essas necessidades identificadas, mas nem por isso devemos estar menos atentas a elas.

Para muitas mulheres, por exemplo, existe uma necessidade literal de acesso ao básico para uma vida digna: água, saneamento, luz, alimento, educação, descanso. Tantas outras possuem necessidades intangíveis como afeto, apoio, reconhecimento ou confiança.

Pare e reflita

  • Seja uma necessidade material ou simbólica, quais são os aspectos da sua vida que merecem um pouco mais da sua atenção aqui e agora?
  • O que você pode fazer por si mesma frente a essa situação?
  • O que você deve e pode reivindicar do seu entorno frente a essa situação?

Leia também: Relacionamento saudável: como construir e manter um?

Disciplina para cuidar de si

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Parece impositivo dizer que o autocuidado feminino exige ter disciplina para cuidar de si. Mas a verdade é que esse momento particular é muitas vezes a primeira coisa que cai da lista de afazeres do dia, e isso tem um motivo de ser assim.

Infelizmente vivemos em uma lógica patriarcal e capitalista que demanda e sequestra toda a energia de vida das mulheres à serviço dessa máquina da produtividade, que precisa continuar a funcionar.

Conscientize-se e empodere-se!

Raramente alguém lhe dirá que agora sim é o seu momento de pausa e descanso. Ou que você merece sentir prazer. Ou que está tudo bem estar a serviço apenas de si mesma. Convenhamos, esse mundo gira movido a energia feminina!

Portanto, é sim necessário que você tenha alguma disciplina para cuidar de si e do seu próprio fortalecimento. É preciso que você insista e resista em um momento sagrado que seja somente seu.

Isso não significa que você precisa criar uma rotina rígida e intransponível de autocuidado. Mas que talvez você precise de fato ter alguma intenção de rotina, por mais breve que seja, talvez 5 minutos do seu dia inteiramente só para você. Talvez aproveitar algum momento que já seja só seu, como o banho por exemplo, e transformá-lo em uma experiência mais prazerosa e menos utilitária.

Cuide da sua sexualidade

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Esse é um aspecto que costuma ser bastante negligenciado, até mesmo quando estamos empenhadas em cuidar da nossa saúde mental e emocional: o corpo. É surpreendente a forma como hoje nos tornamos capazes de viver uma vida inteira esquecendo que habitamos um corpo físico que é sensorial e repleto de possibilidades de prazer e deleite.

Cuidar da sua sexualidade significa honrar essa plataforma sensorial, despertá-la, criar registros e memórias de prazer. Isso vai literalmente te trazer mais saúde, bem estar e qualidade de vida.

Ao cuidar do seu corpo… não da sua aparência, mas do seu corpo enquanto organismo vivo, você estimula a produção de hormônios naturais associados à satisfação, ao pertencimento, a felicidade e ao prazer.

Pratique o autoamor

Você pode fazer isso buscando conectar-se com a sua respiração, com cada um dos seus 5 sentidos e toda a sensorialidade do seu corpo, para além daquele uso utilitário que fazemos dele.

Sabemos o quanto pode ser desafiador para muitas mulheres criadas nessa sociedade machista e patriarcal a possibilidade de se tocar, se autoestimular, se amar e se permitir gozar livremente.

Então não vamos criar aqui um novo imperativo e dizer que é disso que você precisa. Mas sugerimos fortemente que você busque desenvolver e resgatar um relacionamento erótico com o seu próprio corpo e com a sua potência orgástica. No seu tempo, no seu ritmo e respeitando os seus limites.

Leia também: Masturbação Feminina: benefícios e como ter mais prazer com menos tabu

Conclusão

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Se você encontra desafios para colocar em prática uma rotina de autocuidado, mesmo que breve, saiba que você não está sozinha. Esse é um desafio presente e constante na vida de muitas mulheres.

Afinal, vivemos em uma sociedade que convoca nossa energia de vida a todo momento em prol da produtividade e do desempenho, e que não tem o menor interesse na nossa pausa, descanso, autocuidado, prazer e deleite.

É como simboliza perfeitamente bem esta passagem da distopia 1984, livro de George Orwell, em que uma de suas personagens, Júlia, critica veementemente as regras estabelecidas pelo seu governo autoritário:

“Quando você faz amor, está consumindo energia; depois se sente feliz e não dá a mínima para coisa nenhuma. E eles não toleram que você se sinta assim. Querem que você esteja estourando de energia o tempo todo. Toda essa história de marchar para cima e para baixo e ficar aclamando e agitando bandeiras não passa de sexo que azedou. Se você está feliz na própria pele, por que se excitar com esse negócio de Grande Irmão, Planos Trienais, Dois Minutos de Ódio e todo o resto da besteirada?”

É por isso que o autocuidado feminino não é questão que se resume a vaidade. É estratégia de autoproteção, resistência e sobrevivência para nós, mulheres.

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