Início » Prazer Feminino » Falta de lubrificação vaginal: 6 possíveis causas e o que pode ser feito
falta de lubrificação vaginal

Para algumas mulheres, a falta de lubrificação vaginal é um problema recorrente. Mas engana-se quem pensa que esse esse problema desafiador para a vida sexual possui origens unicamente físicas ou fisiológicas.

Neste artigo, vamos discutir sobre os principais aspectos que contribuem para a falta de lubrificação, também conhecida como ressecamento vaginal ou secura vaginal, dialogando a partir da ótica da sexualidade positiva.

Além das causas mais comuns, você vai conhecer um pouco mais sobre a estrutura anatômica dos corpos das mulheres cisgêneros e compreenderá algumas formas de interpretar os sinais de excitação do seu corpo e estimular a sua lubrificação.

O que é a lubrificação vaginal?

o que é lubrificação vaginal

A lubrificação vaginal é um fenômeno fisiológico natural que acontece nos corpos das pessoas que tem vulva.

Em geral, trata-se de um fluido de cor transparente ou esbranquiçada que é secretado pela vulva, e que varia a sua textura entre um aspecto aquoso e um aspecto um pouco mais viscoso a depender de pessoa para pessoa, ou ainda a depender do momento do ciclo menstrual e da excitação sexual.

A quantidade produzida desse fluido também é variável a depender dos mesmos aspectos.

Mistura de diferentes fluidos

Um detalhe interessante a respeito da lubrificação é que, na verdade, ela não se trata de um único fluido. Ela é a uma combinação ou uma mistura de diferentes fluidos que são produzidos em diferentes regiões dos órgãos genitais, compondo isso que chamamos de lubrificação. E cada um deles possui uma função específica no corpo.

Por essa razão, é relevante compreendermos um pouco mais a respeito da anatomia dos corpos com vulva e a função de cada um desses fluidos corporais antes de abordar as principais causas e soluções para a falta de lubrificação vaginal.

Leia também: O que é clitóris? 5 dicas sobre o “botão” do prazer feminino

Qual a função dos fluidos vaginais?

fuidos vaginais

Existem algumas principais vias de produção de fluidos vaginais no nosso corpo: o colo do útero, as paredes do canal vaginal e dois pares de glândulas vulvovaginais. Vamos falar de cada uma delas detalhadamente e suas respectivas funções.

Colo do útero

O cérvix ou colo do útero expele o chamado muco cervical. Esse fluido é secretado pelo pequeno orifício existente na base do útero, que desce e lubrifica todo o nosso canal vaginal.

muco cervical

É um fluido muito envolvido no processo de reprodução humana, pois é o responsável por ajudar os espermatozóides a subirem pelo orifício cervical até as trompas uterinas, onde acontece a concepção.

Durante a ovulação, que é o período fértil das pessoas com vulva, esse muco costuma ser muito abundante e com aspecto e consistência semelhante a clara de ovo.

Já fora do período fértil ele tem a função de proteger a cavidade vaginal da entrada de espermatozóides e de patógenos externos. E para isso ele varia o seu pH, sua quantidade, textura e aparência.

Dica:

Uma ótima referência que recomendamos para que você conheça mais a respeito do seu muco cervical e aprenda a identificar o seu aspecto e relação com as diferentes fases do seu ciclo é o Manual de Introdução a Ginecologia Natural, de Pabla Perez San Martin.

Leia também: Como aumentar a libido feminina: 4 dicas e reflexões cruciais!

Paredes do canal vaginal

Já o canal vaginal tem suas paredes formadas por uma mucosa que naturalmente também secreta fluidos de lubrificação. Quando recebemos um estímulo sexual de qualidade, o corpo responde a essa excitação com um aumento no fluxo sanguíneo em toda a região do nosso genital. Consequentemente isso leva a uma maior produção e liberação de fluidos nesta região.

parede canal vaginal

Um canal vaginal bastante úmido, portanto, é um dos sinais que indicam que o seu corpo está apto e disponível para uma interação sexual.

Glândulas Vulvovaginais: glândulas Lucy & Betsey e glândulas Anarcha

Já as duas outras vias de produção dos nossos fluidos de lubrificação são as glândulas vulvovaginais conhecidas comumente como glândulas de Bartholin e glândulas de Skene. Mas que preferimos chamar por glândulas Lucy & Betsey (Bartholin) e glândulas Anarcha (Skene) por uma proposta de descolonização do corpo feminino.

Bartholin e Skene

Bartholin e Skene foram os primeiros médicos a descrevê-las cientificamente e por isso batizaram as partes dos nossos corpos com seus próprios nomes. Já Anarcha, Betsey e Lucy são algumas das mulheres que forçadamente tiveram seus corpos analisados em nome da medicina patriarcal e misógina. Os novos nomes são uma proposta para repensarmos toda essa relação de domínio e opressão.

Glândulas Lucy & Betsey: sinalizam a excitação do corpo

As glândulas Lucy & Betsey ficam localizadas nas laterais da entrada da vagina, à esquerda e a direita. Elas são responsáveis por secretar feromônios e líquidos de lubrificação para a vagina e a vulva.

Por essa razão, também estão intimamente envolvidas no nosso ciclo de resposta sexual e são um grande indicativo da disponibilidade do seu corpo para uma interação sexual.

glândula da vulva

Quando há estímulo de qualidade, são elas que nos deixam com a vulva molhada.

Muitas vezes a falta de lubrificação vaginal que muitas mulheres experimentam na hora do masturbação ou do sexo é mais um recado do corpo dizendo que ainda não houve estímulo suficiente do que um indício de que há algum problema fisiológico.

Glândulas Anarcha: responsáveis pela ejaculação feminina

Já glândulas Anarcha ficam localizadas à esquerda e à direita da uretra, orifício por onde sai o nosso xixi. E por sua vez são as responsáveis pela produção de fluido para uma possível ejaculação feminina.

glândula da vulva

Digo possível porque a ejaculação feminina é um fenômeno fisiológico natural, mas incomum, principalmente entre as mulheres cisgêneros brasileiras que muitas vezes desconhecem essa possibilidade do seu próprio corpo.

Diferentemente da lubrificação produzida pelas glândulas Lucy & Betsey, que indicam excitação e disposição para a interação sexual, o fluido de ejaculação produzido pelas glândulas Anarcha é uma resposta sexual que acontece geralmente depois de muito estímulo e interação sexual.

Fluido de relaxamento

O que se sabe a respeito desse fluido é que ele contém uma enzima chamada DPE5, que provoca relaxamento instantâneo no corpo.

Ou seja, a ejaculação feminina não é um fluido de lubrificação, mas um fluido de relaxamento que atua como um sistema de resfriamento para o nosso organismo. Sabe água no radiador? É esse o efeito!

Quando o corpo está excitado demais e precisa de uma pausa para se restabelecer, a ejaculação pode ser a resposta sexual desencadeada. E pode ser que ela venha acompanhada de um clímax, um orgasmo, mas isso não é necessariamente uma regra.

Leia também: Orgasmos múltiplos feminino: O que são? Qual a sensação?

Falta de lubrificação vaginal: quais podem ser as causas?

causas falta de lubrificação vaginal

O estímulo que desencadeia essas respostas fisiológicas dos corpos das pessoas com vulva tem origem tanto física quanto psicológica. Por isso a falta de lubrificação vaginal também pode ter várias origens.

1. Níveis do hormônio estrogênio

O estrogênio é o principal hormônio presente no nosso corpo que atua na produção dos fluidos vaginais, e seus níveis no organismo variam ao longo do ciclo menstrual.

falta de lubrificação vaginal

Quando sua menstruação acaba e você entra em um novo ciclo, esse período de início até a fase ovulatória é aquela que apresenta as menores taxas de estrogênio. Por isso pode ser comum sentir maior secura vaginal, ou ressecamento vaginal nesta fase.

2. Anticoncepcionais e outros medicamentos

Os níveis de estrogênio no organismo também podem ser influenciados pelo uso de anticoncepcionais ou outros medicamentos que atuam nos níveis desse hormônio, como aqueles para tratamento de miomas ou endometriose.

3. Puerpério e amamentação

Após o parto nosso organismo passa a produzir maiores quantidades do hormônio prolactina, que direciona muito dos líquidos do nosso corpo para a produção de leite. Provocando como consequência a falta de lubrificação vaginal.

falta de lubrificação

Isso tem muito a ver com a inteligência do nosso corpo e da nossa biologia, praticamente nos sinalizando que “não é o momento para novas interações sexuais pois sua energia precisa ser totalmente direcionada para esta nova vida que foi gerada”.

4. Climatério

Na fase que antecede a menopausa, uma mudança comum no organismo é a queda dos níveis de estrogênio. Por essa razão, a falta de lubrificação vaginal é um relato frequente entre as pessoas que passam por esse momento.

5. Qualidade dos convites à interação sexual

Está aí o principal gatilho de falta de lubrificação vaginal: a má qualidade dos convites para a interação sexual.

falta de lubrificação

Quando tudo que se apresenta é um sexo enfadonho, focado na penetração, que não dá tempo suficiente para o acúmulo de energia sexual e que não privilegia o estímulo de todas as regiões de prazer do corpo e da vulva, o cérebro logo percebe!

E quando ele vê não há muita possibilidade de prazer ali, a lubrificação de fato não é gerada.

Isso pode acontecer quando sua parceria chega cheia de vontade querendo ir “direto ao assunto” mas também pode acontecer quando você, ao se masturbar, vai direto no seu clitóris ou na sua vagina e ignora que existe todo um corpo sensorial que precisa ser despertado e estimulado antes de receber esse toque genital.

6. Cabeça ligada nos 220v

Se você vai para o seu momento íntimo de prazer cheia de preocupações, listas de afazeres, obrigações, medos, culpas ou vergonhas… isso também se torna um prato cheio para a falta de lubrificação vaginal pois a sua mente não encontrará espaço para relaxar e se entregar a uma experiência prazerosa.

Leia também: Zonas erógenas do corpo feminino: explore todas as suas possibilidades

Conclusão: o que fazer para voltar a ter lubrificação vaginal?

conclusão

Se você está convivendo com a secura vaginal, o primeiro passo é parar e observar a qualidade dos convites para a interação sexual e o nível de estresse, demandas ou angústias na sua mente antes de qualquer outra coisa. Avalie também a qualidade do estímulo que você está recebendo: ele privilegia todas as regiões sensoriais do seu corpo?

Digo isso pois é muito comum, principalmente entre mulheres, acreditar que o problema está no seu corpo e não em todo esse cenário que desfavorece a nossa libido e o nosso prazer.

Problemas fisiológicos e hormonais podem ser contornados com o uso de lubrificantes ou tratados à base de medicamentos e de reposição hormonal. Mas são os fatores psicológicos aqueles que mais impactam a nossa libido, nossa lubrificação e nossa disponibilidade para a interação sexual.

Por isso, o autoconhecimento e esse processo particular de investigação de si mesma será a sua ferramenta mais potente para transformação dessa realidade.

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