Início » Autoconhecimento » O que é vulva? É o mesmo que vagina? Entenda sua função e estrutura anatômica
o que é vulva

A minoria das mulheres cisgênero sabe o que é vulva e a maior parte delas ainda chama o seu genital de vagina. Não sabemos questões fundamentais a respeito da anatomia dos nossos corpos mas ainda assim somos recordistas no número de labioplastias: cirurgia íntima que visa remodelagem dos lábios vaginais. 

O setor cresceu 45% em 2016 e somente no Brasil mais de 23 mil mulheres foram submetidas ao procedimento, segundo estudo da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS).

O dado é reflexo de uma sociedade opressora e sexista que leva muitas mulheres a construção de uma relação problemática com seus corpos e ao desenvolvimento de uma insatisfação sintomática com as suas formas naturais.

Mas a vulva é um órgão incrível! E uma grande fonte de prazer para as mulheres cisgênero. É para apoiá-las no processo de empoderamento dos seus corpos que esse artigo abordará informações relevantes para desmistificar de uma vez por todas o que é vulva, sua função e sua estrutura anatômica.

O que é vulva? E o que é vagina?

o que é vulva e vagina

Vulva: o que é?

Vulva é toda região externa e visível do genital das mulheres cisgênero. Ela é formada pelos:

    monte púbico (1), prepúcio do clitóris (2), clitóris (3), lábios externos (4), lábios internos (5), entrada da uretra (6), glândulas Anarcha (7), entrada da vagina (8), glândulas Lucy & Betsey (9), e próxima a toda essa estrutura principal da vulva ainda está o períneo (10) e o ânus (11).

Glândulas de Bartholin e de Skene

Uma observação: as Glândulas Lucy & Betsey são mais comumente conhecidas por Glândulas de Bartholin, enquanto as Glândulas Anarcha são mais comumente conhecidas por Glândulas de Skene. Falamos mais sobre isso no artigo sobre clitóris: confira.

Na ilustração da área externa do genital você vê uma vulva sem pêlos para fins de representação das estruturas anatômicas, mas lembre-se que toda essa região visível do genital fica naturalmente coberta pelos pêlos pubianos.

Vagina: o que é?

Já a vagina, como podemos perceber, corresponde somente ao canal que dá acesso ao útero. Ela é apenas o buraco, e não o nosso genital inteiro! Veja uma representação dessa estrutura da vagina na parte interna do nosso corpo:

o que é vagina

Leia também: Zonas erógenas do corpo feminino: que você precisa conhecer!

Qual a função da vulva?

Naturalmente, a região externa do genital a qual chamamos de vulva possui muitas funções. É pelo canal da uretra que liberamos a urina e é pelo canal da vagina que liberamos a menstruação e por onde acessamos o colo do útero. Portanto, a vulva está envolvida no processo de reprodução humana.

função da vulva

Mas é também na vulva onde se encontra o clitóris, um órgão cuja função única é de proporcionar prazer e que está diretamente relacionado aos orgasmos. E ainda as glândulas Betsey & Lucy e glândulas Anarcha, que são responsáveis pela lubrificação e pela ejaculação feminina, respectivamente, e que estão ligadas ao nosso ciclo de resposta sexual. Ou seja, estão envolvidas com a nossa excitação e desejo.

Leia também: Como aumentar a libido feminina: 4 dicas e reflexões cruciais!

Por que não conhecemos a vulva?

por que não conhecemos a vulva

Poucas mulheres tem conhecimento de que a parte externa do seu genital se chama vulva e não vagina, mas são todos esses relevos e reentrâncias dessa maravilhosidade chamada vulva os principais responsáveis pelo nosso prazer sexual.

A falta de conhecimento das mulheres a respeito disso é consequência de uma construção histórica da nossa sociedade, que é misógina e machista, onde o interesse pelos corpos das mulheres cisgênero sempre se deu pelas questões reprodutivas ou patológicas da saúde. Nunca pelas questões relacionadas a nossa anatomia e fisiologia prazerosa, daí a falta de interesse em educar sobre o que é vulva.

Sexo chato e enfadonho

Quando passamos uma vida inteira acreditando que nosso genital é apenas um buraco, fica muito mais fácil associar o sexo à penetração ou a um modelo “chave-fechadura” e desconsiderar completamente que o nosso parque sensorial está nessa região externa. E isso é um prato cheio para o controle da sexualidade das mulheres e para um sexo chato e enfadonho que não prioriza os nossos orgasmos!

Leia também: Orgasmos múltiplos feminino: O que são? Qual a sensação?

Tipos de vulva?

tipos de vulva

É muito comum nos depararmos com imagens de vulva que difundem um padrão estético limitado e irreal para a maior parte das mulheres. Padrão este que geralmente é reforçado pela pornografia, exibindo vulvas de um único tipo, cor e formato, geralmente rosadas, lisinhas, sem nenhum pelo e de lábios pequenos e rígidos. 

Diversidade de vulvas

Esse modelo de vulva “perfeita” pouco representa a grande diversidade de vulvas que existe e mais tem a ver com os nossos preconceitos do que com uma representação acurada das possibilidades dos corpos.

diversidade da vulva

A verdade é que as vulvas possuem uma diversidade infinita em seus formatos e todas elas são perfeitas e lindas a sua própria maneira e na sua forma mais natural, seja com ou sem pelos. Mas infelizmente não são todas as pessoas que pensam dessa maneira. 

Padrões irreais da aparência da vulva da mulher

Muitas mulheres se sentem inseguras com a aparência de suas vulvas. Mas isso é fruto de uma pressão estética pelos estereótipos de beleza que leva muitas delas a desenvolverem essa insatisfação exagerada com seus corpos e até buscarem modificações como a labioplastia ou clareamento de pele. 

Tudo isso como uma maneira de se aproximarem do padrão distorcido e idealizado de beleza, fruto de uma sociedade ainda muito racista e machista (entre outras formas de opressão que recaem sobre os nossos corpos).

diversidade da vulva

Foi pensando em mudar essa realidade que a artista holandesa Hilde Atalanta criou o projeto The Vulva Galery, um canal educacional centrado em relatos pessoais e retratos ilustrados de vulvas, celebrando a sua diversidade ao redor do mundo. Confira algumas das lindas ilustrações que você encontra na página.

Leia também: O que é empoderamento feminino? Importância e 7 princípios

Como tratar a sua vulva com amor? 3 Dicas

como tratar sua vulva

Agora que você já sabe o que é vulva, sua função, sua anatomia e também a sua particularidade como principal fonte de prazer para as mulheres cisgênero, já que é onde se localiza o clitóris, confira 3 dicas simples e fundamentais para cuidar adequadamente dessa parte tão sensorial e delicada do seu corpo.

1. Não caia no conto do sabonete íntimo

sabonete íntimo para vulva

Nosso corpo é tão, mas tão inteligente, que a nossa vulva possui um mecanismo fisiológico auto regulatório para equilibrar o seu pH e manter as condições adequadas que evitam a proliferação de fungos e bactérias. Não existe nenhuma necessidade de usar sabonete íntimo rotineiramente, inclusive, isso mexe com o equilíbrio natural do seu corpo porque são sabonetes repletos em química. 

O sabonete íntimo é mais um artifício do machismo combinado com capitalismo que nos convence que devemos mascarar nossos aromas naturais com os cheiros artificiais dos seus sabonetes especializados e caríssimos. 

Como higienizar a vulva?

Não caia nesse conto! A vulva pode ser higienizada apenas com bastante água e no máximo com o uso de um sabonete neutro apenas na região externa dos seus relevos e reentrâncias. Nunca introduza sabonete na sua vagina!

2. Deixe a vulva respirar

deixe a vulva respirar

Sempre que puder, evite deixar a região da sua vulva abafada por roupas muito grossas e apertadas. Prefira usar roupas confortáveis e até durma sem calcinha para deixar a região arejada e assim evitar o acúmulo de suor e secreções que podem favorecer proliferação de fungos e bactérias.

3. Evite absorventes de uso diário

evite absorvente diário

A vulva naturalmente secreta fluidos e é muito comum que mulheres façam uso de absorventes diários de forma ininterrupta para manter a “higiene” da região. Mas o fato é que os absorventes abafam a vulva e fazem aumentar o risco de infecções, portanto é altamente contraindicado fazer uso contínuo deles.

E durante o período menstrual?

Mesmo durante a menstruação, é preferível evitar o uso dos absorventes descartáveis (tanto de uso externo quanto interno) e optar pelos absorventes ecológicos, feitos de pano, ou ainda outros métodos como copinho coletor. 

A superfície dos absorventes sintéticos contém substâncias derivadas de petróleo que irritam a mucosa vaginal, além de serem ultra absorventes e não permitirem a passagem de ar.

Odor desagradável na menstruação

O que deixa a vulva abafada, quente e úmida, favorecendo o mal cheiro da menstruação. O sangue menstrual em condições normais cheira apenas a sangue. Esse odor fétido que muitas mulheres relatam é, em geral, consequência do uso continuado de materiais sintéticos em contato com a vulva.

Leia também: Masturbação feminina: como ter mais prazer com menos tabu?

Conclusão

vulva

A sociedade machista nos condiciona a achar que o nosso genital é apenas um buraco (a vagina), desconsiderando toda vasta possibilidade sensorial e prazerosa que se encontra na região externa, a vulva. Mas a relação que construímos com o nosso corpo não tem que ser assim.

Não precisamos buscar padrões irreais de vulvas “perfeitas”, clarinhas, sem pêlos e sem fluidos. Temos a possibilidade de caminhar para um processo de empoderamento dos nossos corpos que é capaz de celebrar a nossa pluralidade de formatos e cores, e ver um tipo de beleza diferente em todas as mulheres, que nada tem a ver com as pressões e os estereótipos estéticos.

Autoconhecimento: empodere-se!

Esse é o empoderamento feminino que buscamos e que de fato nos levará a descolonizar e ganhar autonomia sobre os nossos corpos. E este é o convite que fazemos para você hoje.

Pegue um espelhinho de mão e coloque de frente para a sua vulva. Observe-se com um novo olhar e celebre cada pedacinho dessa paisagem sensorial que é o seu corpo!

Gostou desse conteúdo e gostaria de aprender muito mais? Confira a nossa aula online sobre Anatomia Avançada e Fisiologia da Vulva que faz parte do nosso pacote de Aulas Temáticas de Sexualidade Positiva e empodere-se ainda mais do seu corpo e dos seus prazeres.

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