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Uma viagem ao oceano que há dentro: sobre o prazer na melhor idade

Ela acorda, abre os olhos e se levanta. Como na maioria de suas manhãs seus movimentos são impensados, quase mecânicos. Suas mãos preparam o café e o pão. Regam as plantas. Recolhem as roupas. Deixam o feijão de molho para o almoço.

São oitenta e três anos de vida. Oitenta e três ciclos solares. Oitenta e três primaveras, verões, outonos e invernos vividos na mesma pele, na mesma carne. Oitenta e três vezes trezentos e sessenta e cinco dias habitando o mesmo corpo.

Aos 83 pode parecer que já não há mais nada a descobrir sobre si. Mas nesse dia ela busca sua bolsa, reúne suas chaves, carteira, celular, três balas de coco.

Sai de casa, pega um Uber. Pela primeira vez em muito tempo não antecipa o que lhe espera no destino.

Desce do carro e adentra uma casa grande, mas discreta, que ao fundo guarda um farto jardim. Acerola, mamão, jabuticaba, peregum, helicônia, louro, muitas mais. Reconhece todas.

Amorosamente uma jovem lhe aborda: está pronta, musa?

Sobe as escadas. Nota o cheiro. Laranja doce.

A luz baixa convida seu corpo ao relaxamento. Se deita nua. Pontas de dedos percorrem levemente toda a extensão do seu corpo, dos pés à cabeça.

Sua pele arrepia, sua carne vibra, sua temperatura sobe, sua boca saliva, sua respiração acelera e ela abre mão de todo controle.

Quando menos espera, mergulha. Submerge, inunda-se. Se entrega ao prazer. Seus olhos fechados percorrem a imensidão de um mar até então desconhecido e encontram dentro de si o horizonte, lá longe. 

Ela descobriu um oceano. Ela se descobriu um oceano.

Absorvida pelo gozo, sua carne e sua alma repousam sobre o pano encharcado integrando a experiência. Sua presença está inteira ali. Sua vida, sua existência, seu corpo, seus movimentos, nada mais é mecânico.

Ela abre os olhos. Se levanta, se lava, se veste.

Suas mãos quentes e ainda trêmulas buscam as mãos da jovem, seus olhos encontram os dela e sua boca de oitenta e três anos de sabedoria confabula: que sorte a minha não morrer sem navegar por esses mares.

Naquele dia, desbravou o oceano que há dentro.

Esqueceu de almoçar.

Estava alimentada do prazer de si.

A Prazerela é um núcleo de sexualidade positiva voltado para pessoas que se identificam e se expressam no mundo como mulher, independente da sua orientação sexual, idade, se é solteira ou casada, se tem filhos ou não.

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